domingo, 26 de agosto de 2018

Vocação, Opção e a Falta Delas (Parte 2)


Vamos continuar com a história dos três irmãos, agora gastrônomos formados...

Com a habilitação em Gastronomia, e por forte influência do pai, os três foram contratados por restaurantes diferentes. Afinal, eram profissionais do garfo e faca, treinados em uma das melhores instituições de ensino do país. E foi assim a trajetória de cada um dos irmãos:


João, como seus outros dois irmãos, começou a trabalhar como auxiliar de cozinha. Suas ideias e carisma o fizeram líder no restaurante, espalhando seu entusiasmo para todos que trabalhavam ali, do faxineiro ao proprietário. Em pouco tempo fez cursos e se tornou um chef. Aquele restaurante se tornou referência em poucos meses graças ao trabalho árduo e dedicado de João. Este não se acomodou e partiu para fazer mais cursos na área, trazendo mais novidades para o restaurante. Hoje João é proprietário de seu próprio restaurante, que também é referência na gastronomia da cidade.

Antônio iniciou sua carreira como auxiliar de cozinha, da mesma forma que seus outros dois irmãos. Mas ele não se esforçava o bastante, sempre atrasando as tarefas ou mesmo errando receitas básicas. O chef do restaurante não contava muito com Antônio, mas foi mantendo-o no serviço. Hoje Antônio não trabalha exclusivamente com gastronomia, pois, segundo ele, o chef não se simpatizava muito com sua pessoa. Assim, Antônio também faz alguns “bicos” como contador, já que tinha facilidades com números e contas.

Por fim, Pedro também começou ajudando na cozinha. Sua constante má vontade e seu baixo conhecimento fizeram com que ele fosse despedido. Mesmo assim, Pedro resolveu insistir na área, ainda mais que os seus outros dois irmãos estavam na gastronomia e mais bem sucedidos que ele. Foi trabalhar em uma cantina de qualidade duvidosa, mas que o deixavam fazer o que quisesse, já que era formado em Gastronomia. Atualmente, Pedro continua a trabalhar nesta cantina, mas o que prepara não é muito apreciado pela escassa clientela. A cantina deve fechar em menos de seis meses.


Leia o desenrolar desta ficção na semana que vem.

PROGRAMAÇÃO DA SEMANA

SEMIOLOGIA (GMV116)
27/08/2018 = TURMAS A-B-C
Aula Teórica 06-07 (Marcha do Exame Clínico), PV09, sala 3, 15h00 às 16h40.
Discussão do desafio da semana anterior: Hipotiroidismo e Arritmias Cardíacas.
Desafio da próxima semana: Piometra e Hipertermia.
28/08/2018 = TURMA B
Aula Teórica 08-10 (Marcha do Exame Clínico), DMV22, 09h00 às 11h30.
29/08/2018 = TURMA C
Aula Teórica 08-10 (Marcha do Exame Clínico), DMV22, 09h00 às 11h30.
31/08/2018 = TURMA A
Aula Teórica 08-10 (Marcha do Exame Clínico), DMV22, 09h00 às 11h30.

CINOFILIA (GMV150)
20/09/2018 = TURMA A
Aula Teórica 01 (Introdução à Cinofilia. Histórico da Cinofilia), DMV01, 10h00 às 10h50.

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Vocação, Opção e a Falta Delas (Parte 1)


Vou iniciar estes escritos (divididos em três postagens) usando um conto fictício. Adoro analogias, não que assim possa discutir um tópico indiretamente, mas porque analogias ajudam indivíduos que ocasionalmente têm dificuldade para entender uma situação direta. Sei que estas postagens irão gerar certo desconforto em quem ler, podendo, até mesmo, levar o leitor a pensar que se trata de desabafos, retaliações ou preconceitos de um educador student-hater em final de carreira. Mas leia com calma e pense sobre o seu significado. É o que penso estarmos passando atualmente nas instituições educacionais. Vamos lá...

Esta é a estória de três irmãos: João, Antônio e Pedro. Sua família, de origem simples, vivia da renda de um pequeno, porém bem frequentado, restaurante. Lá, sob a batuta do pai, os três aprenderam a gostar da rotina do preparo dos alimentos, da correria no servir os pratos e da dificuldade de adquirir os ingredientes para a semana.

Em muito pouco tempo se apaixonaram pela culinária. Neste período se esmerilhavam nos afazeres da cozinha da própria casa, preparando excelentes pratos, para a felicidade de todos que compartilhavam deste ambiente. Mas a adolescência os chamou ao desafio da profissão.


Com o peso da responsabilidade imputado às suas vidas de adolescentes, os três prestaram vestibular para uma Faculdade de Gastronomia na capital, já que sua cidade-natal não tinha tal artifício. Passaram...

João tinha certeza que sua vida era a gastronomia. Não conseguia pensar em outra coisa para sua futura ocupação profissional. Durante o curso, ele fez estágios, leu o máximo que pode e buscou se aprimorar em sua futura profissão. Não era o aluno mais brilhante da turma, mas estava bem acima da média.

Antônio começou o curso de gastronomia na mesma turma dos irmãos. Ele se esforçava, mas sentia que faltava algo. As aulas não eram para ele assim tão proveitosas e seu ânimo ia diminuindo à medida que o curso avançava. Não entendia como João se entregava tanto ao curso: de onde ele tirava aquela vontade?

Pedro começou o curso desanimado. Gostava de cozinhar, mas não tinha certeza que o curso seria uma boa para seu futuro. Frequentava as aulas quando queria e não lia quase nada sobre o assunto. Ia mal na maioria das disciplinas e sempre desviava sua deficiência para cima dos outros (professores, colegas, instituição, etc.).

E, aos trancos e barrancos, os três se graduaram em Gastronomia. (Aguarde Parte 2).

PROGRAMAÇÃO DA SEMANA

SEMIOLOGIA (GMV116)
20/08/2018 = TURMAS A-B-C
Aula Teórica 01-02 (Introdução à Disciplina. Marcha do Exame Clínico), PV09, sala 3, 15h00 às 16h40.
21/08/2018 = TURMA B
Aula Teórica 03-05 (Marcha do Exame Clínico), DMV22, 09h00 às 11h30.
22/08/2018 = TURMA C
Aula Teórica 03-05 (Marcha do Exame Clínico), DMV22, 09h00 às 11h30.
24/08/2018 = TURMA A
Aula Teórica 03-05 (Marcha do Exame Clínico), DMV22, 09h00 às 11h30.

CINOFILIA (GMV150)
20/09/2018 = TURMA A
Aula Teórica 01 (Introdução à Cinofilia. Histórico da Cinofilia), DMV01, 10h00 às 10h50.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

O Aluno que Conversava com Cães

Pois é... Dia 15 deste mês comemoramos (?) mais um dia dos Professores. O que há para comemorar a não ser a doação diária destes profissionais ao progresso do ser humano? É difícil se falar de algo quando se está completamente imerso nele. O ser humano é parcial na maioria das situações, mas não estou aqui para defender ou acusar nada ou ninguém (tão típico de todos nós). Isto tem sido feito extensivamente (e de forma infrutífera) na mídia. Feliz o governo que tem em seus mestres e educadores o alicerce de um futuro para seu povo.


Não por saudosismo, mas tentei me lembrar de quando a veia educadora resolveu inflamar em minha pessoa. Uma flebite que nunca me curei e que mantenho ativa, nunca por opção, mas sempre por amor. Costumo falar com as pessoas mais chegadas a mim que uma profissão deixa de exercer seu caráter obrigatório e funcional quando se transforma em hobby. E assim considero a minha atividade de educador. Nunca considerei a cátedra como uma profissão ou obrigação funcional, mas, principalmente, como um estilo de vida saudável (mesmo que isto seja uma utopia hoje). Cada ser humano utiliza o entorpecente que prefere: leitura, chocolate, drogas, bebidas, futebol, preguiça e outros mais. O meu principal sempre foi ensinar, passar ao outro um pouco da experiência que adquiri e que poderá leva-lo a patamares mais elevados.

Lembro-me de diversas situações em que minha flebite crônica se tornou ativa, pulsando forte e me levando a ter certeza que o caminho era aquele. Foram ocasiões em que vi, nos olhos de meus educandos, a gratidão, o conhecimento e a força de seguir em frente. Nada mais caro (e emocionante) para um educador que este tipo de comportamento.

Um exemplo marcante que tive foi um aluno ainda na época que estive na Escola de Veterinária da UFMG. Naquele tempo (estou falando de 1991-1992) iniciava oficialmente na carreira docente como professor substituto de Semiologia e Clínica Médica de Pequenos Animais. Havia um individuo que se destacava da turma, não pelo seu rendimento (sofrível, por sinal), mas pelo seu comportamento agressivo e intolerante. Seus colegas o evitavam e eu, no auge da minha imaturidade docente, acreditava que ele realmente não se dava para muito esforço. Ledo engano. Um dia, um pouco antes de uma aula prática de Semiologia ocorrida em um dos antigos anfiteatros do DCCV, surpreendi este aluno conversando com o cão (acho que era o “Ástor”, alma canina que já foi para o céu dos cães)! Fiquei na espreita, próximo à soleira, ouvindo o que ele dizia (coisa feia!), sem coragem de interrompê-lo. As poucas palavras que ouvi me emocionam até hoje. Em resumo, entre afagos e olhando para o animal, ele dizia para que ele não se preocupasse, pois ninguém iria machuca-lo. Aquilo foi um choque. Como um aluno tão distante da aula e de todos poderia ter aquele comportamento? Quando ele me viu, o desconcerto foi geral: meu e dele. Dei a respectiva aula, mas notei que o aluno não estava presente. Uma semana depois deste fato, este aluno entrou em minha sala e perguntou se eu teria um tempo para ele. Este é um dos momentos mais sublimes da arte de educar: o contato direto e o conversar/entender. Foi então que, entre uma voz embargada e falha, até um leve choro, este aluno praticamente me contou uma história que nunca poderia imaginar que haveria por ali. Não conseguia nem de longe entender a dor daquela pessoa ao passar pela situação descrita. Foi então que ele, em um gesto inusitado, estendeu a mão e pediu a minha compreensão, dizendo que tentaria melhorar.


Considero este um dos melhores aprendizados que tive em minha vida. Um ser humano que sofria e não tinha como externar. Sua revolta com os outros e com o ensino era um comportamento estereotipado, típico daqueles que recorrem aos inevitáveis mecanismos de fuga/esquiva. Conversamos por diversas vezes e nos tornamos amigos. Lembro-me da sua dedicação nas aulas seguintes, para espanto meu e dos colegas. Saí da UFMG e fui para a UFLA e perdemos contato.

Este é um dos sentidos de ensinar. Não apenas passar conhecimentos técnicos, mas também orientar condutas, dar exemplos de comportamentos sociais aceitáveis. Como ele, tenho outras dezenas de casos semelhantes e que considero sucessos em minha carreira. Isto me faz viver cada vez mais.

Ah, quanto ao aluno, eu o reencontrei quase uma década depois. Estava esta pobre carcaça tomando um preguiçoso sol em uma praia capixaba em um dos raros momentos de férias, quando uma figura, devidamente acompanhada de uma mulher e seu rebento, parou em minha frente e disse: “Professor, é o senhor mesmo?”. Não sabia se ele se referia ao envelhecimento progressivo que os catedráticos passam ou pelos trajes sumários de uma praia, tão diferentes da antiga vestimenta branca que usávamos diariamente na Escola. Olhei para ele e reconheci o aluno que conversava com cães. Ele me apresentou sua esposa e seu filho, e, em suma, disse estar terminando seu Doutoramento em Clínica Médica em uma Universidade Federal. Foi uma emoção muito grande, ainda mais debaixo daquele sol. Da mesma forma que chegou, saiu e nunca mais tive contato com ele (apesar das promessas de contato de ambas as partes).


O que parece apenas um relato emotivo e desconexo serve não apenas para reforçar meu furor pedagógico frente a situações tão alarmantes que acontecem hoje em dia, momentos em que o estudante acredita que o ensino é um produto e que ele está pagando por isso. Acabou-se a relação mútua entre educador/educando, dificultando o processo de ensino/aprendizado. Da minha parte eu lhe agradeço, aluno que conversa com cães, pois além de abastecer minha inabalável convicção de estar na função de educador, ainda foi um dos eventos catalizadores para que eu cursasse e tivesse a honra de me formar em psicologia. Obrigado a você e a todos que realmente compreenderam estes escritos, lendo com o coração e não com os olhos.

sábado, 30 de setembro de 2017

O Aluno-60

Antes de discernir sobre este tema, não quero que pensem que estou julgando ninguém individualmente. Discorro sobre uma fauna específica que frequenta o bioma das salas de aula universitárias. Porém, mesmo tentando acreditar que estou lidando com indivíduos teoricamente adultos e responsáveis pelos seus atos, suas ações são diferenciadas da média do grupo. Já tive diversos Alunos-60 que passaram pelas minhas disciplinas como tempestades, mas que, como toda tormenta, um dia se afasta, sobrevindo a bonança. Também não gostaria que o leitor visse estes escritos por um viés de choque de gerações, pois sabidamente é burrice uma comparação com qualquer das inúmeras denominações de gerações criadas para explicar este vazio universitário mental. Gerações possuem ambientes e momentos próprios, que são, por essência, incomparáveis.


Nestes quase 30 anos de docência (e levando em consideração, também, os inúmeros anos de janela durante minhas graduações), e ao considerar o aproveitamento dos discentes em minhas disciplinas, constatei que, por este prisma, estes alunos podem ser classificados em dois grandes grupos: os Alunos-60 e os demais. Pode parecer coisa de biólogo taxonomista querer classificar tudo que vê pela frente (ou de um psicólogo esquizofrênico precoce), mas se trata de uma constatação real. Pois bem, o que se aproxima do perfil do Aluno-60? Tentarei traçar este comportamento estereotipado correndo o risco de generalizações, o que é um erro grave, porém comum do ser humano. Também não estou assumindo uma avaliação psicológica acadêmica, pois não tenho instrumentos adequados para tal feito. Mas vamos lá...


O Aluno-60 é aquele indivíduo pouco participativo em atividades, apesar de contestar tudo o que é dado na disciplina. É um indivíduo fugidio e que só se manifesta perante situações específicas que o favoreçam. Seu comportamento agressivo frente às atividades avaliativas é patognomônico, pois, frente à sua incapacidade, o mesmo já se julga prejudicado em função de alguma tarefa que ele, por meio de sua imaginação egocêntrica e míope, pensa ter sido montada para desarticula-lo em sua caminhada acadêmica.

Neste ponto, quando se sente prejudicado (como em uma revisão de nota avaliativa), o Aluno-60 coloca em ação todo o seu ferramental de boatos, difamações e mexericos sobre seu professor, a avaliação e a própria disciplina, posicionando-se como a grande vítima do processo. Seu grau de vitimização é tão impressionante e vívido, que carrega outros colegas incautos em sua firme decisão de se mostrar pusilânime frente a estas situações. Sua opinião é mais importante e de caráter decisório final, não aceitando outras interpretações.


É muito fácil o reconhecimento destes representantes em uma turma. Um professor experimentado e calejado consegue, logo nas primeiras aulas, identificar um Aluno-60. E cabe especial atenção a este indivíduo, já que se trata de um ser em caminho progressivo para o autoenforcamento, já que eles mesmos colocam as cordas em seus pescoços logo no início da graduação, esperando apenas alguma situação (ou alguém) que chute o banquinho que, efemeramente, ainda o sustenta. O Aluno-60 é uma espécie de neoplasia maligna dentro de uma turma, pois ele está ali apenas para passar na disciplina, em nada contribuindo para o bem comum. É um embrião psicopático ainda quiescente. A consequência imediata e fatal da ação destes indivíduos é uma quebra da relação educador-educando, criando uma atmosfera insalubre e hostil para ambos. E como um câncer, seu poder metastático é alto e alcança a maior parte dos colegas, podendo espalhar a discórdia e o ressentimento no processo de ensino-aprendizado.


Fico pensando se o Aluno-60 estaria satisfeito com apenas 60% de realização em suas atividades extrauniversitárias. Para ser um pouco bizarro, fico pensando se este indivíduo se contenta em comer apenas 60% do que sua fome pede; será que ele nunca atingirá um orgasmo, já que sua potência sexual será de apenas 60%? O seu salário futuramente correspondera a 60% do que ele poderia cobrar? Será???

Cabe ao educador evitar confrontos nestas situações, pois, como dito, estes indivíduos aprendem (e se alimentam) com desavenças e dor (já que o prazer é transitório em suas ações). Infelizmente, o poder dissuasivo do Aluno-60 é alto, podendo contaminar àqueles que o rodeiam de forma muito rápida e eficiente. O educador deve se abster de discussões diretas, já que interjeições lógicas não alcançam a mente infantil e insana deste indivíduo. O que o Aluno-60 mais quer, além de passar na disciplina por qualquer estratégia (lícita ou ilícita), é discutir, criar confusão e semear a discórdia, achando campo fértil para isto caso encontre alguém que o abasteça. Seu rastro nesta caminhada é apavorante, mas de pouca importância para eles.

Uma das estratégias que adoto e aprendi ao longo do tempo foi direcionar a este representante da vasta fauna psicótica humana uma completa indiferença com relação aos seus comportamentos doentios. Vale para ele o que vale para o restante da turma: nem mais, nem menos. O Aluno-60 não encontrará em mim nenhuma lenha para queimar em sua fogueira de ódio e imaturidade. Assim, que ele se queime sozinho. Cedo ou tarde, como tenho constatado em casos como estes, vejo futuros profissionais imbecilizados, arrogantes e pouco capazes de exercer sua atividade. Sua fragilidade é inversamente proporcional à sua resiliência, revelando um indivíduo fraco e de difícil socialização.

Mas este é o preço que se paga por não se tentar entender e nem ouvir os outros. Se é que vale alguma sugestão (nunca dou conselhos, até mesmo pela inutilidade dos mesmos na maioria das situações), procure ajuda psicológica. Talvez seu distúrbio comportamental tenha controle e você possa viver a vida sem criticar os outros nem se sentir o último “Bis” da caixinha. Boa sorte para você, Aluno-60.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Mais do mesmo

Parafraseando o falecido poeta e cantor Renato Russo em sua música "MAIS DO MESMO", estamos em uma situação acadêmica similar à canção. Drogas à parte, nada de novo tem sido feito por qualquer segmento envolvido na educação. Professores desmotivados, alunos praticamente semi-analfabetos funcionais (38% não sabem ler nem escrever direito), excesso de terceirização de técnicos-administrativos, falta de recursos federais para as universidades, métodos de ensino e avaliação ultrapassados e por aí vai...


Está muito difícil para que qualquer um de nós consiga estímulos para enfrentar esta situação, independente do lado que se posicione. Veja um exemplo: qual a forma mais comum de se administrar aulas no ensino superior brasileiro? O professor lança a sua carga de tópicos (geralmente em aulas longas e desmotivantes, com conteúdo pouco prático e em ambiente hostil) e há cobrança de avaliações (três ou quatro teóricas, sem contar o terror das avaliações práticas). Este tipo de ambiente está ultrapassado em método de ensino superior, causando inúmeros traumas para quem está envolvido (eu que o diga, pois são quase 26 anos de docência e três cursos superiores concluídos como aluno). Mas porque ainda insistimos neste esquema???

Como psicólogo e um aficionado da área de educação, penso (e temo) que esta questão é muito complexa e não se resolverá nas próximas décadas. O medo de mudar (o novo é assustador!!!), o comodismo de quem está à frente (mudar para que, se eu estou bem assim???), o despreparo cultural de todos nós (o pior de todos os males) e o controle estatal da educação (educar é perigoso, pois forma cidadãos conscientes) são algumas das facetas envolvidas neste ninho de gatos que é nossa educação superior.


Mas você pode fazer diferente. Um ensinamento que aprendi desde muito cedo (com meu falecido pai, também professor universitário e militar) é não esperar muito das pessoas. Cuidado, não digo que não devemos acreditar, mas sim que devemos criar um mundo de POSSIBILIDADES, não de EXPECTATIVAS. Estas duas palavras são muito diferentes em seus significados, pois caso o fato esperado não ocorra, o indivíduo que menos se frustará é o que moldou possibilidades. Isto faz a diferença em um curso superior.

Por isso, faça a diferença. Crie seu mundo de possibilidades: é possível que eu faça estágio naquela universidade estrangeira; é possível que eu consiga passar naquela disciplina que já repeti duas vezes; é possível que eu aprenda aquela técnica sem a ajuda do professor (já que ele não ajuda muito mesmo); é possível...

Tenho visto e conversado com alunos que, ao montar expectativas do seu futuro acadêmico, se frustraram de tal forma que até largaram o curso. Por isso, se prepare: você será mais forte quando inúmeras possibilidades se contraporem à uma expectativa. É o amadurecimento que se reforça.

Bom retorno às aulas. Não se esqueça que todo o material da disciplina de Semiologia está disponível no site . A senha para download será fornecida na primeira semana de aulas.

segunda-feira, 21 de março de 2016

Longo e tenebroso inverno...

Olá, pessoas. Apesar de estarmos no outono, o título reflete a correria deste final de semestre. Indo para os "finalmentes", as notas finais de Semiologia estão no SIG. Quem tiver alguma dúvida ou quiser fazer revisões, estarei na minha sala APENAS nesta terça, 22/03/2016, das 09h00 às 11h00. No dia 24/03/2016, fecharei o diário e as notas.


Parabéns a todos que conseguiram vislumbrar o universo da Semiologia Veterinária e sua importância. Como sempre digo, o conhecimento não é passado unicamente pelo educador, mas vocês precisam construí-lo e reconstruí-lo (e porque não destruí-lo???). Assim se faz um profissional competente e crítico. Se houver dependência apenas de conteúdo de aula e apostilas, você se tornará um aluno medíocre (em termos de média).

Para o semestre que vem a Semiologia passará por grandes modificações em seu conteúdo. Mais uma vez, pedi ao Colegiado do DMV que aumente a carga horária da disciplina, pois temos uma das menores cargas horárias da disciplina no país (dentre as universidades federais). Vamos ver no que dá.

Por fim, bom recesso e que possamos, todos, refletir no momento atual que estamos passando, especialmente no campo político. Isso que vemos hoje é o reflexo da nossa inadimplência de ontem. Não adianta apontar o dedo para fulano ou ciclano apenas: a culpa é de todos nós. Que Deus tenha compaixão desta nação (porque, pelo jeito, o diabo já a abraçou de vez...).


quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Notas de Semiologia e algo mais

As notas de Semiologia estão no SIG. Parabéns à turma, que alcançou uma média de 23,4 pontos (78%), com apenas duas notas abaixo da média (4,65%). Mas lembrem-se que esta primeira etapa é muito mais fácil; as próximas serão mais complexas e extensas.

Quanto à postagem anterior neste blog, alguns órgãos de classe se pronunciaram. Veja os links abaixo:

Conselho Federal de Psicologia
Conselho Federal de Nutricionistas
Conselho Regional de Enfermagem do Paraná

Estas são apenas algumas considerações oficiais sobre as declarações insanas deste indivíduo. O pior é que tudo parece ter sido montado para o lançamento de seu livro "Ruah" (algo que ensina como comer de forma saudável e ficar com o aspecto anorético que ele adquiriu recentemente).


Uma parte de suas declarações à Rádio Globo é a seguinte:

“É a mesma coisa de um psiquiatra e um psicólogo. Qual a diferença? O psiquiatra é médico, o psicólogo é apenas um conselheiro, um terapeuta. (...) O nutrólogo é um médico que se especializou na parte alimentar, portanto ele é muito mais que o nutricionista. Tem o enfermeiro e tem o médico. Quem que opera? O médico. Com todo respeito aos enfermeiros... Todo mundo tem a sua função e a sua importância. Os nutricionistas também têm”, disse o padre."

Bom, é vida que segue (e como segue...).